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Professor: de “Informador” para “Motivador” PDF Imprimir E-mail
Escrito por Dilermando Piva Jr   
Vocês já devem ter notado como, de uma forma genérica, os alunos estão mais “indisciplinados”.  Conversam o tempo todo, “desrespeitam” a autoridade do professor em sala de aula, questionam o ensino  - conteúdos e processo -, enfim, fogem daquele “padrão” de comportamento de alguns anos atrás.
Será que o problema está nos alunos ou no processo de ensino?
Observem que antes mesmo da criança chegar a escola, ela já passou por processos importantes de educação: pela familiar e pelas mídias eletrônicas.
No ambiente familiar, a criança desenvolve suas conexões cerebrais, roteiros mentais , emocionais e suas linguagens (observe que a fala não é a única linguagem desenvolvida). Basicamente, a criança aprende pela imitação dos comportamentos e atitudes dos pais, demais familiares e amigos.
Ela aprende também pelas mídias eletrônicas, principalmente pela televisão. Ela aprende a informar-se, a se divertir, a conhecer, a imaginar. Notem que,  a relação com a mídia eletrônica é prazerosa – ninguém obriga – é feita através da sedução, da emoção. A criança aprende vendo as histórias que outros lhes contam.
Quando a criança chega a escola, é levada a uma sala de aula, com paredes, quase que, por todos os lados, tem que se sentar em uma cadeira extremamente desconfortável e lá ficar por, aproximadamente, quatro horas, todos os dias, prestando o máximo de atenção a uma ou várias pessoas falarem, ditarem, escreverem o tempo todo.
A aula começa. Depois de alguns minutos ouvindo atentamente o professor, a criança se lembra de uma conversa que teve com um amigo; passa em sua mente algumas cenas de um determinado programa de televisão; pensa o quanto seria prazeroso estar sentado naquele sofá bastante confortável, tomando refrigerante e assistindo um programa televisivo; ou como seria legal estar brincando com seus amigos no jardim, ou jogando bola, ou outra coisa qualquer.    Pronto!  Ela se distraiu, perdeu o “fio da meada”, e agora não está entendendo mais nada do que o professor está falando. Tem medo de perguntar ao professor, pois este pode ridicularizá-la perante seus colegas. Tenta uma ajuda com o colega ao lado. Começam a trocar informações. Outros também se “desinteressam” da aula... Está instaurada uma situação de “indisciplina”.
E assim essa, como muitas outras situações, se repetem a cada dia, mais e mais vezes nos bancos escolares.   O que fazer? Como tentar reverter essa situação?
A idéia básica é levar VIDA e ALEGRIA para a sala de aula.  Note que não quero dizer que temos que levar sofás ou refrigerantes para a sala de aula. Trata-se de, basicamente, duas coisas: 1) temos que ser afetivos, e 2) temos que  levar situações vivenciais, situações que “tenham a ver” com a vida dos alunos para a sala de aula.
Na verdade o professor, e a escola, não podem assumir a postura de competição com essas situações ou tecnologias que proporcionam mais prazer aos alunos, mas sim, têm que se utilizar desses novos recursos, principalmente tecnológicos, para conquistar a atenção e a afetividade dos alunos.
Por exemplo, a introdução de novas tecnologias em sala de aula altera a postura dos professores, da instituição de ensino e da sociedade, de uma forma geral. Não se trata apenas de usar ou não novos recursos informacionais em sala, mas sim, usá-los com efetividade.
A postura informadora, assumida pelos professores, deve ser substituida pela motivadora.  A função informadora deve ser delegada às novas tecnologias informacionais, tais como o vídeo e o computador. O professor deve reservar-se a tarefas mais humanas, tais como: motivar condutas, orientar o trabalho dos alunos, resolver dúvidas, atendê-las segundo o nível individual de aprendizagem. Nessas tarefas o professor – “professor-motivador” – é  insubstituível. Nas demais, as máquinas podem fazer muito melhor que ele.
As instituições de ensino devem se sensibilizar dessa necessidade de mudança e promover e incentivar seus professores, principalmente através de treinamentos específicos para a utilização dessas novas tecnologias, a repensarem seus comportamentos em sala de aula. Só assim, conseguiremos reverter alguns problemas, como a “indisciplina”, que tanto afetam as instituições educacionais hoje.
Como disse Marcel Proust, “o verdadeiro ato de descobrir, não consiste em achar terras novas, mas  em vê-las com outros olhos”. Assim, devemos redescobrir nosso processo educacional!
 
Comentários (1)
O que é "respeito" em sala de aula?
1 Dom, 01 de Março de 2009 19:53
???
Concordo com o autor! Parabéns pelo enfoque e visão ampla da situação! É muito fácil a todos estarem recriminando crianças e jovens em sala de aula, mas poucos têm a visão de que a escola está se distanciando cada vez mais do aluno. O mundo é dinâmico, colorido, cheio de imagens, sons, interatividade e a escola tem ficado estagnada, numa posição de superioridade acadêmica, querendo que os alunos façam o movimento de aproximação. Não farão! A postura de crítica é muito mais cômoda do que a de investigação e dinamismo, dando oportunidade a novos conceitos. Não basta ligar um computador na sala de aula, usar um filme para "enrolar", ou começar a falar gíria na classe! AFETIVIDADE é mais do que abraço, sorriso, pré-disposição em aproximar-se. Afetividade é a especialização, é a busca de novos caminhos para ir ao encontro das crianças e jovens que estão tão carentes do professor comprometido, que oferece a mão para ser seguido.!