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A "Molecularização" da Sociedade PDF Imprimir E-mail
Escrito por Dilermando Piva Jr   

Historicamente, a sociedade sempre teve um foco de atuação: na época das cavernas, o foco estava na concentração de implementos de caça, depois passou para grandes quantidades de terra produtiva, deslocando-se logo em seguida para os recursos naturais. Em tempos mais recentes, passou para o processo industrial, e depois de duas guerras, trocou de rumo novamente, indo para a área financeira. Agora estamos novamente num período de transição. Estamos entrando na era do foco na informação.

Por ser algo dinâmico, a sociedade sempre esteve em constante mutação. Entretanto, nunca em toda a história esta dinamicidade foi tão visível.
Forças, tais como competição global, desregulamentação das leis, mudanças estruturais, capacidade ociosa, fusões e aquisições, menos protecionismo, expectativa dos consumidores, novas tecnologias e o aparecimento de blocos comerciais estão pressionando de forma única as organizações, e a sociedade como um todo, exigindo que as mesmas repensem radicalmente seus destinos.
Em especial, as novas tecnologias, estão oferecendo ferramentas poderosíssimas de transformação social. A Internet é um exemplo claro dessa transformação, não só pelas novas possibilidades de comunicação globalizada que introduz, mas também, pela nova cultura social concebida.
Nossas crianças estão crescendo em ambiente de muita interatividade e liberdade na criação e desenvolvimento do próprio conhecimento, fazendo surgir uma nova geração:  a "Geração de Rede".
Se por um lado essas transformações trazem infinitas possibilidades para as futuras gerações, por outro, levanta problemas gravíssimos de choques estruturais. Isto se torna bastante claro, quando analisamos as estruturas sólidas, rígidas e hierarquizadas das atuais organizações.
Segundo Don Tapscott, que lançou este ano um livro chamado "Growing up Digital: the Rise of the Net Generation" que traz um estudo sobre o surgimento desta nova Geração, estes jovens auto-confiantes, obcecados pela intensa comunicação eletrônica e extremamente questionadores estão entrando no mercado de trabalho e mexendo com as estruturas organizacionais tradicionais. Abalando mesmo!
 Na visão tradicional, os trabalhadores são encarados como um "dente" dentro de uma "grande engrenagem" (o filme "Tempos Modernos" de Chaplin retrata bem esta estrutura). Na nova concepção organizacional, os trabalhadores (ou colaboradores) são encarados como a menor parte de um todo (uma molécula) e, ao mesmo tempo, são partes integrantes deste todo. Tirar, mesmo essa pequena parte, pode significar o fim do todo, o que não acontecia na estrutura "engrenagem" - as pessoas, como os "dentes", eram apenas substituídos quando ficavam gastos ou quebravam.
O que era encarado apenas como "massa" vira "molécula". Dessa forma, a concentração de riqueza das organizações muda de lugar novamente, concentrando-se no trabalho conceitual das pessoas trabalhando em rede (ou grupos), cada qual em sua especialidade.
Fredric Litto, responsável pela Escola do Futuro da USP, diz que "com base nisso, e suportados pela alta tecnologia, o conceito de 'molecularização' toma conta de toda a sociedade, indo desde a educação (cada pessoa tratada como um aprendiz individual), passando pelo marketing (cada freguês tratado como um mercado único), chegando na sociedade em geral (estruturas moleculares fluidas feitas de agrupamentos 'ad hoc' de equipes e redes)".
Veja que no passado, a vantagem competitiva era obtida por fatores de economia em escala, produtividade e custo da mão-de-obra. No futuro, será obtida pela renovação contínua de produtos, serviços, sistemas, processos e pessoas.
Note, também, que esta transformação é inevitável e observamos seus reflexos nos novos perfis exigidos. O executivo moderno, assim como as organizações, que não mudarem suas estruturas e formas, não terão mais lugar na nova sociedade!